Entrevista sobre os bastidores das movimentações do golpe parlamentar, jurídico e midiático que completa dez anos neste 2026 será transmitida nesta quinta (19), às 20h30, ao vivo, pelos canais @TV61bsb e @alissonlopes
Por João Orozimbo Negrão
Imagina você ter que conciliar forças políticas extremamente antagônicas em um espaço democrático, de forma a garantir segurança e liberdade para os grupos rivais e radicalizados se manifestar. Esses grupos eram os pró e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em embates frequentes na Esplanada do Ministérios, no gramado do Congresso Nacional e na Praça dos Três Poderes.
Não foi uma tarefa fácil, mas construída com êxito por uma mulher pernambucana que vive em Brasília há 20 anos. Márcia de Alencar, psicóloga, bacharel em Direito, pós-graduada em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco, empregou a sua capacidade técnica, a sua intuição feminina, a sua capacidade de diálogo e a sua história de militância no campo democrático para negociar os interesses em disputa.
Foi dela, por exemplo, a responsabilidade e coordenação da operação que separou os lados, que ficou conhecida como “muro do impeachment”no meio da Esplanada dos Ministério, delimitando a militância pró e contra o impeachment à esquerda e à direita, respectivamente. A disciplina imposta ao militantes para evitar invasões, depredações e outras violências foi negociada diretamente por ela por meio de um Comitê de Pacificação criado por ela, cuja excelência da operação até hoje serve de referência para operações complexas no mundo.
Estando no meio deste furacão – e ainda como membro do staff do Governo do Distrito Federal -, Márcia de Alencar foi um privilegiada testemunha de uma história que completa uma década neste 2026 e se configurou como um golpe parlamentar, midiático e jurídico de derrubou a primeira mulher presidenta do Brasil.
Entrevista
Nesta entrevista ao programa Pensar DF, vamos conversar com Márcia sobre o período pré golpe, as movimentações e os bastidores políticos e jurídicos que se desenvolviam naquele 2016, como desdobramento do fatídico 2013, tido como o ensaio para a derrubada de Dilma três anos após e que prende o ex-presidente Lula em 2018, em outro golpe contra a democracia brasileira.
A entrevista será nesta quinta (19), às 20h30, ao vivo, pelos canais @TV61bsb e @alissonlopes. Confira ao final deste texto, o link da transmissão pelo YouTube.
Participação
Esta edição do programa Pensar DF tem a participação de Alisson Lopes, advogado e professor de História; de Aldemário Araujo Castro, advogado, mestre em Direito e procurador da Fazenda Nacional; e de Renato Amorim, economista, mestre em Direito, analista Judiciário no Superior Tribunal de Justiça, atualmente lotado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A apresentação é do jornalista João Orozimbo Negrão.
Abaixo, o link da transmissão da entrevista com Márcia de Alencar:

Não perco essa entrevista por nada.
Fui testemunha direta de um dos períodos mais desafiadores da história recente do país. Como assessor próximo, acompanhei de perto reuniões complexas, decisões sob pressão e a condução firme da dra. Márcia diante de cenários com interesses totalmente antagônicos — muitas vezes no mesmo espaço, exigindo equilíbrio, estratégia e pulso.
Participei também de encontros duros com diversos órgãos, especialmente federais, onde cada passo era um verdadeiro teste de fogo. E foi justamente nesses momentos que pude ver, na prática, a competência, a serenidade e a capacidade de articulação de uma profissional à altura dos desafios que enfrentava.
Essa entrevista promete trazer não só bastidores, mas lições valiosas de liderança em tempos críticos. Vale a pena acompanhar.