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John Coltrane: 100 anos do homem eternizado no jazz

Um século após seu nascimento, a trajetória de Coltrane permanece atravessada pela música negra, pela experimentação e pela busca constante por novos caminhos no jazz

O saxofonista John Coltrane. Reprodução
O saxofonista John Coltrane. Reprodução
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Verônica Serpa, do Alma Preta

Hamlet, no estado norte-americano da Carolina do Norte, 23 de setembro de 1926. Neste dia, há um século, nascia John William Coltrane, que, posteriormente, consagrou seu nome, sob a alcunha de John Coltrane, no panteão da música negra entre os maiores do jazz. 

A proximidade com a música gospel, por meio de seu pai, pregador, e de sua família religiosa, foi um dos fatores que forjaram sua predileção pelo blues e pelo saxofone. Após perder a família repentinamente em 1938, aos 12 anos, a música se tornou um meio de subsistência do artista. 

Já na fase adulta, o músico passou a se inspirar no bebop — considerado à época como um novo estilo do jazz, com mais foco na improvisação e experimentação — e por outros artistas, como Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Johnny Hodges e Dexter Gordon. Em 1942, mudou-se para Filadélfia, na Pensilvânia, e morou em uma das comunidades afro-americanas mais desenvolvidas dos Estados Unidos no pós-guerra. 

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John Coltrane fez aulas de música com o benefício educacional para veteranos militares e, após a baixa, dedicou-se à música como profissão. Com uma cena musical vibrante e afrocentrada, entre 1946 e 1955, ele começou a carreira como músico contratado, acompanhando cantores de jazz e R&B em pequenos grupos, até chegar às big bands e conjuntos nacionais. No mesmo período, sofreu com o vício em heroína, batalha que o acompanhou por seis anos. 

Foi em 1955 que Miles Davis, trompetista e outro importante nome do panteão do jazz, o chamou para integrar seu grupo, onde permaneceu até 1959. Juntos, Davis, a quem chamava de “professor”, e o saxofonista alcançaram a projeção nacional e aumentaram os holofotes para o gênero. A colaboração gerou o álbum “Kind of Blue”, entre outras canções, considerado internacionalmente como obra-prima. 

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Durante o período em que tocou com Miles, Coltrane foi cortado do grupo por meses em decorrência de seu vício. Em 1957, em meio a uma dessas pausas, mergulhou em novos formatos harmônicos e, durante sua pesquisa, colaborou com o pianista Thelonious Monk, transitando do bebop para o jazz modal — uma forma em que o músico passa mais tempo explorando um determinado conjunto de notas, sem alterar os acordes com frequência.

Em 1960, o músico se apresentava liderando seus grupos, já tendo assinado um contrato com a Atlantic Records, conhecida por lançar Aretha Franklin e outros gigantes da música negra. 

Mesmo tendo aprendido diversas vertentes do jazz, o artista seguia estudando o gênero, tendo aulas com o vanguardista e saxofonista texano Ornette Coleman. Dos novos ares foi feito um de seus maiores sucessos, “My Favorite Things”, usado como trilha do musical “A Noviça Rebelde”. 

Coltrane trocou de gravadora em 1961 e foi para o selo da ABC-Paramount Record, empresa extremamente prestigiada, onde conheceu a pianista Alice Coltrane, com quem casou e formou um dos casais mais famosos da música negra. Lá, colaborou com outros artistas de renome, como Duke Ellington e Johnny Hartman, e se tornou um sucesso em vendas e bilheterias. 

Ao lado de Alice, escreveu e gravou, ao final de 1964, “A Love Supreme”, seu trabalho mais relevante, considerado por ele como uma “oferenda musical” em gratidão à sua vitória contra o vício em drogas. A obra em quatro partes foi elaborada após o nascimento do primeiro filho do casal, John Jr., e resultou em duas indicações ao Grammy. 

Tocou, compôs e gravou até poucas semanas antes de sua morte, em 17 de julho de 1967, aos 40 anos de idade. A morte precoce do artista ocorreu em decorrência de um câncer de fígado, identificado posteriormente. Além de John Jr. e Alice, o artista também deixou os filhos Ravi e Oran. 

Desde sua morte, o saxofonista é celebrado em todas as áreas da música, transbordando os limites do gênero que escolheu. Em 2018, a gravadora Impulse! anunciou o lançamento de um álbum póstumo. 

John Coltrane, que consagrou seu nome entre os grandes em apenas dez anos, faleceu deixando na história dos musicistas um legado que facilmente se manterá pelos próximos séculos. 

Editoria Cultura

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