As histórias de lideranças e personalidades negras do Distrito Federal começam a ser contadas pelo projeto “Djéli: Falas Griôs”, idealizado e dirigido pela jornalista, fotógrafa, escritora e documentarista Marisol Kadiegi, pelo jornalista e documentarista João Orozimbo Negrão e pela produtora Ana Lúcia Araújo de Souza, administradora de formação e militante social.
O projeto surgiu de encontros fraternos entre essas três amigas que refletiam sobre temas diversos de seus cotidianos familiares, da militância em comum e da necessidade de construção de uma sociedade melhor. Todas 60 mais, essas amigas chegaram à conclusão que as vozes de muitas lideranças e personalidades negras importantes em suas vidas estavam se apagando, ou seja, elas estavam seguindo para Orum.
Assim aparece o projeto, objetivando homenagear, em vida, essas pessoas negras marcantes na luta contra o racismo e a valorização da comunidade negra na capital da República. São curtos documentários de entre 15 e 25 minutos sobre a vida e luta dessas lideranças e personalidades.
Para esta primeira parte do nosso projeto, escolhemos pessoas com 60 anos a mais, cuja relevância se destacam nas áreas da religiosidade de matrizes africana e ameríndia, das artes, da política e dos movimentos sociais no Distrito Federal.
“Fausto”, a estreia
O documentário “Fausto” será lançado no próximo dia 18 de setembro (sexta), às 20h, durante o Sarau da Casa Gog, com roda de conversa entre os presentes. O evento é aberto ao público e reunirá músicos, poetas, raps e diversos artistas que se articulam na Casa Gog, que fica na QE 38 do Guará 2. Saiba mais aqui: @casagogoficial
O projeto
Já foram captadas seis entrevistas que estão em processo de pós-produção e edição. Destas, a primeira a ficar editada foi a do jornalista, radialista e poeta Fausto José Barbosa, membro da Cojira (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial) do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.
“Para nós está sendo um processo muito prazeroso, à medida que estamos reportando a vida de pessoas queridas e importantes em nossas lutas. Por outro lado, é uma empreitada difícil, porque não dispomos de nenhum financiamento e tudo está acontecendo devido aos nossos esforços próprios, material e espiritual”
A produção editorial dos mini docs é do jornalista Sionei Leão, membro da Cojira, que está empreendendo uma contribuição significativa na execução do projeto, ao lado da editora Daniele Massarico. “Meu pensamento foi fazer que esse audiovisual esteja em sintonia com o coração de ouro do Fausto, uma pessoa que admiramos enquanto profissional e ativista”, declara o jornalista e escritor Sionei Ricardo Leão, que é presidente do Instituto Lobeira, parceiro do projeto.
“A lista de pessoas que o projeto pretende homenagear é longa e outros nomes já estão em pauta. Tão logo consigamos finalizar a edição dos seis já entrevistados, vamos partir para a captação de novas entrevistas”, explica Ana Lúcia. “Contribuições são muito bem-vindas para conseguirmos dar continuidade ao projeto”, acrescenta João Orozimbo Negrão.
O que é o Djéli – Falas Griôs
Quem explica é Marisol Kadiegi:
“Inspirados pela palavra Djéli, oriunda do Mali, país da África Ocidental, o sétimo maior país do continente, a expressão pode ser sentida, ou interiorizada, como integrante de uma linhagem de um povo responsável por dar continuidade a tradição cultural do país ou comunidade. Pode-se entender também como o guardião dos segredos familiares. Podemos trazer isso para a Diáspora se pensarmos nos nossos guardiões da tradição oral”.
E prossegue: “É aí que entra a nossa série de mini documentários ‘Djélis – Falas Griôs’, um registro audiovisual dos nossos mais velhos. E quando falamos nossos mais velhos, nem sempre é a referência cronológica, mas a referência de ancestralidade viva que com sua caminha e atuação tem sempre muito a nos ensinar e deixar como legado, sua contribuição de alguma forma para a construção do país Brasil”.
E agrega: “Neste projeto que nasce do sonho de preservar a memória de pessoas negras, ativistas e militantes brasileiros do Distrito Federal, queremos dar voz mostrando a cara daqueles, que quase ou nunca, tiveram a oportunidade de estar nos holofotes. Por isso, nossos Griôs, contam suas histórias para nós que no caso, está sendo contada por nós”.
E finaliza: “Um de nossos Griô, é Fausto José, um viajante no tempo e no jornalismo que fez de Brasília sua morada e aqui deixa sua marca enquanto homem, casado há 37 anos e hoje é avô do Ayô. Que o nome de seu neto, Fausto José Barbosa, seja a concretização deste projeto, alegria, alegria, alegria”.

