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Do Paraguai ao Brasil: como falta de regulação em bancos digitais deixa mais pobres em risco

Pressionado, o presidente Santiago Peña, que sofre um processo de impeachment, tentou renunciar. Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025.

Policiais fazem a segurança em frente a uma agência do Ueno Bank durante protesto em Assunção, no Paraguai – Foto: Daniel Duarte/AFP
Policiais fazem a segurança em frente a uma agência do Ueno Bank durante protesto em Assunção, no Paraguai – Foto: Daniel Duarte/AFP
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Por José Bernardes e Larissa Bohrer e Maria Teresa Cruz.

A crise política e financeira no Paraguai — que deixou metade da população do país sem acesso a cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e fundos previdenciários — aconteceu devido a fraudes de um banco digital, o Ueno. O episódio guarda semelhanças com o escândalo do Banco Master no Brasil. Pressionado, o presidente Santiago Peña, que sofre um processo de impeachment, tentou renunciar. Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a economista Marilane Teixeira, professora e pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Unicamp, pondera que, diante do cenário, há uma oportunidade para repensar os modelos de bancarização atuais. “[Os bancos digitais] ampliam a sua presença em um contexto em que oferecem muitas facilidades. Portanto, é fácil captar a sociedade, a opinião pública, principalmente as pessoas mais simples, que estão, às vezes, mais expostas a algum nível de vulnerabilidade, oferecendo menores taxas”, explica.

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Essa expansão, continua Teixeira, se dá em um ambiente de pouca regulação. “Muitas vezes, você abre uma conta sem nenhum tipo de burocracia. Oferecem rendimentos que, depois, objetivamente não têm lastro, que não se sustentam. E há pouca fiscalização sobre a atuação desses bancos”, destaca.

A economista destaca que, tanto no caso do Paraguai, como no Brasil com o Banco Master e o Will Bank, as principais vítimas são pessoas mais pobres, que dependem desses recursos e se sustentam com suas economias. “É um momento para repensar um pouco como esses sistemas operam e ampliar o nível de regulação, de controle e de fiscalização. E aí o Congresso brasileiro tem um papel muito importante”, ressalta.

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Para ela, o momento também exige retomar o debate sobre a importância da atuação do Banco Central nesses casos. “O BC tem obrigação de atuar para garantir transparência e fiscalização das operações que são feitas por essas instituições”, resume.

Editoria Brasil

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