Por João Orozimbo Negrão
Uma das melhores coisas de Brasília para mim é visitar o Armazém do Campo do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), ali na quadra 1 do Setor Comercial Sul, no coração do Distrito Federal. Faço isso quase todas as sextas-feiras. É o dia em que as coisas aqui na Capital Federal ficam mais tranquilas e é o dia da feijoada. Ao contrário do resto do país, quando o dia da feijoada é no sábado, aqui em terras de JK esse prato especial da culinária tupiniquim é degustado às sextas.
E no Armazém do Campo do MST em Brasília a feijoada tem um sabor especial. Ou tinha. Porque agora não teremos mais a presença de um certo Antônio Dias de Abreu. Ou simplesmente “Dias”, como se apresenta este militante do MST em Brasília, que já frequentou, como assessor, espaços da política no Congresso Nacional e outros lugares que a luta o requisitou.
Antônio Dias de Abreu deixou de coordenar o Armazém do Campo do MST em Brasília nesta sexta-feira, dia 28 de novembro. A direção do movimento decidiu designar outros rumos ao projeto e Dias foi escalado para atuar na cooperativa onde possui sua pequena propriedade em Planaltina. Não sei quem virá rendê-lo ao posto, mas espero que sejam camaradas (companheiros) tão nobres quanto ele.
“Dias Melhores Virão para Nós Todos” era (e continuará ser) a saudação que eu dava ao Antônio Dias de Abreu toda vez que adentrava ao Armazém do Campo do MST em Brasília e o encontrava sorridente nos chamando (eu e meus convidados) a adentrarmos.
E toda vez que encontrava ali o Dias, ficava pensando eu como é simples ser um militante aprazível, desses que lhe faz sentir em casa e que nos remete à junção de duas máximas de outros militantes emblemáticos (com perdão do clichê): Brecht e Guevara: Há homens que são imprescindíveis porque não perdem a ternura.
Este é o Dias.
* João Orozimbo Negrão é jornalista em Brasília.
